728x90 AdSpace

Magazine Luiza
  • Últimas

    Sicred Santa Rita Drogaria
    Curso de Barbeiro Promoção autos
    quarta-feira, 25 de outubro de 2023

    Outubro Rosa: Mastologista Dr. Bruno Laporte esclarece a importância da prevenção do câncer de mama

    Saiba as novas técnicas no tratamento e como prevenir essa doença que é a maior causa de morte por câncer entre as mulheres.


    Dr. Bruno Eduardo Pereira Laporte - @drbrunolaporte, é médico mastologista, fellow em mastologia no Instituto Europeu de Oncologia, Milão - Itália, título de Especialista em Mastologia (TEMA), membro da Sociedade Brasileira de Mastologia, membro da American Society of Breast Surgeons, mestre em Saúde pela UFJF, doutorando em Saúde pela UFJF, coordenador da Residência Médica de Mastologia do Hospital Maternidade Terezinha de Jesus em Juiz de Fora.

    No mês de outubro, quando o mundo volta suas atenções para a conscientização e prevenção do câncer de mama por meio da campanha Outubro Rosa, o mastologista, Dr. Bruno Laporte, um dos melhores médicos da região e reconhecido tanto nacional quanto internacionalmente, concedeu uma entrevista exclusiva ao Site Mídia Mineira. O médico compartilhou informações valiosas sobre essa doença que, hoje, é a principal causa de morte por câncer entre as mulheres no Brasil.

    O câncer de mama é uma preocupação de saúde pública em nosso país, mas os números podem variar significativamente entre as regiões. De acordo com dados do Instituto Nacional de Câncer (INCA), as regiões Sudeste e Sul apresentam as maiores taxas de mortalidade, com 12,43 e 12,69 óbitos a cada 100.000 mulheres, respectivamente. Em seguida, temos o Nordeste com 10,75 óbitos, o Centro-Oeste com 10,90 óbitos e o Norte com 8,59 óbitos por 100.000 mulheres. Essas disparidades refletem a necessidade de abordagens regionais na prevenção e tratamento do câncer de mama.

    A queda observada nos anos de 2020 e 2021 pode ser atribuída, em parte, ao impacto da pandemia, uma vez que os óbitos por Covid-19 podem ter sido uma causa concorrente.

    O INCA estima que, para cada ano do triênio 2020/2022, sejam diagnosticados no Brasil 66.280 novos casos de câncer de mama, com um risco estimado de 61,61 casos a cada 100 mil mulheres. O carcinoma de células epiteliais é o tipo histológico mais comum de câncer de mama, que se divide em lesões in situ e invasoras. Os carcinomas mais frequentes são os ductais ou lobulares.

    Confira abaixo a entrevista completa com o Dr. Bruno Laporte:

    𝐌𝐌 - Após mais de 30 anos da campanha Outubro Rosa, qual o balanço que o Sr. faz em relação a conscientização sobre a importância da detecção precoce do câncer de mama? O Sr. acha que as mulheres estão mais atentas?
    𝐃𝐫. 𝐁𝐫𝐮𝐧𝐨 - O Outubro Rosa é uma campanha de conscientização sobre o câncer de mama que alcançou grande penetração na população, com 98% das mulheres ouvindo falar sobre ela. A maioria das mulheres considera a campanha importante para conscientizar sobre os perigos do câncer de mama, com 70% sendo motivadas a procurar um médico ou ginecologista e 40% fazendo mamografias por influência do Outubro Rosa. No entanto, muitas mulheres ainda utilizam estratégias questionáveis de prevenção, como a ultrassonografia das mamas, que não é recomendada como método de rastreio. O autoexame ainda é amplamente utilizado, mas há uma necessidade de conscientização sobre suas limitações. A pesquisa destaca a importância da mamografia como o único exame comprovadamente eficaz na redução da mortalidade, especialmente em mulheres de risco habitual.
    Quanto à busca de informações, a internet e os médicos desempenham papéis significativos, com quase um terço das informações sendo obtidas por meio de "matérias, divulgação e propaganda", "Redes Sociais", "Palestras" e a "Campanha do Outubro Rosa". O Google é o mecanismo de busca mais popular, mas a qualidade das informações pode ser heterogênea. A pesquisa mostrou que a maioria das mulheres reconhece a importância do diagnóstico precoce, mas algumas ainda não acreditam que um estilo de vida saudável influencie na redução do risco de câncer de mama. Em geral, a pesquisa destaca a importância das campanhas de conscientização e da educação contínua para promover práticas de prevenção e detecção eficazes do câncer de mama.

    𝐌𝐌 - Quais são os principais sinais e sintomas do câncer de mama que as mulheres devem estar atentas?
    𝐃𝐫. 𝐁𝐫𝐮𝐧𝐨 - Os principais sintomas do câncer de mama são nodulação palpável na mama, saída de secreção transparente ou sanguínea pelo mamilo. Ferida de mamilo, abaulamentos, na mama ou retrações na mama. Esses são os principais sintomas e sinais de alerta que devem fazer uma mulher procurar atendimento médico para ser avaliada.

    𝐌𝐌 - O que a medicina entende como detecção precoce?
    𝐃𝐫. 𝐁𝐫𝐮𝐧𝐨 - Se conceitua como um diagnóstico precoce, tumores diagnosticados com menos de dois centímetros, sendo que a nossa meta é diagnosticar o máximo possível de tumores menores que um centímetro, onde a chance de cura da doença excede os noventa por cento. Abaixo de um centímetro é quando o tumor não é palpável, ou seja, ele é diagnosticado por métodos de imagem, e é esse o momento ideal do diagnóstico.

    𝐌𝐌 - Diante da evolução científica dos últimos 30 anos, qual é a chance de cura quando o câncer de mama é detectado precocemente?
    𝐃𝐫. 𝐁𝐫𝐮𝐧𝐨 - Tumores abaixo de um centímetro, geralmente detectado somente por exame de imagem. A taxa de cura supera os noventa por cento.

    𝐌𝐌 - O câncer de mama é um tipo de câncer mais genético ou tem a ver com fatores externos também? Quais são os fatores de risco?
    𝐃𝐫. 𝐁𝐫𝐮𝐧𝐨 - Todo câncer é genético porque ele ocorre através de uma mutação no DNA da célula. Dez por cento dos cânceres de mama são hereditários, então o pai ou a mãe, tem um gene do DNA com defeito. Esse gene, por ser defeituoso, não consegue exercer sua função na célula e quando esse gene tem como função proteger aquela célula de um câncer e ele não está funcionando adequadamente, você aumenta o risco daquela mulher de ter um câncer.  Então dez por cento são herdados. Tanto pode ser herdado do pai quanto pode ser herdado da mãe. O fator familiar é o fator de risco para câncer de mama, mas a gente não pode esquecer que o sedentarismo, a obesidade, o álcool, o cigarro, eles também são fatores que aumentam a probabilidade de câncer de mama.

    𝐌𝐌 - Quais são os exames que as mulheres devem fazer e com qual periodicidade?
    𝐃𝐫. 𝐁𝐫𝐮𝐧𝐨 - Segundo a Sociedade Brasileira de Mastologia, a Federação Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia, o Colégio Brasileiro de Radiologia, tal como a Sociedade Americana de Oncologia Clínica e a Sociedade Americana de Cirurgiões de Mama, a mulher de risco habitual deve realizar mamografia anual a partir dos quarenta anos de idade e deve parar de fazer mamografia somente quando não tiver uma expectativa de vida maior do que cinco, sete anos. Segundo o Ministério da Saúde, as mulheres de risco habitual devem fazer mamografia a partir dos cinquenta até os sessenta e nove anos, só que bianualmente.

    𝐌𝐌 – Quais são os tratamentos mais comuns para o câncer de mama?
    𝐃𝐫. 𝐁𝐫𝐮𝐧𝐨 - Em relação aos tratamentos de câncer de mama, primeiramente a gente tem que ressaltar a cirurgia. Cirurgia para retirada do tumor pode compreender a retirada só do tumor, com uma margem de segurança, o que a gente chama de cirurgia conservadora de mama. Ou a mastectomia, retirada de toda a mama. Lembrando que com as técnicas de reconstrução imediata e com as técnicas modernas de mastectomia você consegue, em alguns casos, retirar todo o recheio da mama, que são as glândulas da mama, mantendo-se pele, aureola e mamilo e colocando-se uma prótese por trás, mantendo-se a feminilidade e autoestima daquela mulher. Em 2022 - eu estava nesse Congresso - foi apresentado no Congresso Americano de Mastologia, um estudo de 1.800.000 mulheres que provou que a cirurgia conservadora de mama, ou seja, retirada do tumor mais radioterapia, tem uma expectativa de cura maior do que a mastectomia sem radioterapia. Então muitas mulheres acreditam que, retirando a mama, elas vão ter uma maior chance de cura. E nem sempre isso é uma verdade. Existem alguns casos em que a mastectomia infelizmente é indicada e deve ser feita, mas na maior parte dos casos a gente consegue conservar a mama e ainda aumentar a chance de cura associando à radioterapia.

    𝐌𝐌 - Existe alguma medida preventiva que as mulheres possam adotar para reduzir o risco de desenvolver câncer de mama?
    𝐃𝐫. 𝐁𝐫𝐮𝐧𝐨 – Como medidas preventivas para o câncer de mama, a gente vai citar todas aquelas que geram saúde, é muito importante a mulher ter esse conceito que ela deve gerar saúde e não prevenir doença. A gente sabe hoje que atividade física, três a cinco vezes por semana, 150, 300 minutos, ela diminui 30%, 40%, o risco futuro de câncer de mama, controle da obesidade também diminui risco de câncer de mama. Diminuição de ingestão alcoólica. O álcool é dose dependente. Quanto mais álcool ingerido, maior a chance, a probabilidade de ter câncer de mama no futuro. O tabagismo é controverso. Mas muitos estudos mostraram uma relação positiva entre o hábito de fumar e a incidência de câncer de mama.

    𝐌𝐌 - Quais são os principais avanços e inovações no tratamento do câncer de mama que você tem observado recentemente?
    𝐃𝐫. 𝐁𝐫𝐮𝐧𝐨 – Para mim, o maior avanço no tratamento do câncer de mama não é uma terapêutica específica, uma nova droga, novo equipamento, mas sim um novo entendimento. Entendimento que cada tumor é um tumor, cada câncer é um câncer, cada mulher é uma mulher, e a interação entre essa mulher única e esse câncer único gera tratamento único. A necessidade de personalizar o tratamento, não se tratando a mais e nem se tratando a menos, é um grande avanço da mastologia e também do tratamento do câncer de mama que vem ocorrendo nos últimos anos. 
    Do ponto de vista de tecnologia, eu citaria as terapias percutâneas. Estão cada vez mais avançadas uma delas é a crioablação, em que você coloca uma agulha pela pele, dentro do tumor, essa agulha congela o tumor e destrói o tumor. E alguns estudos já têm mostrado a não necessidade de operar as pacientes depois desse congelamento de destruição do tumor. Então, terapia percutânea. Para tratamento percutâneo você consegue destruir o tumor sem precisar operar o paciente. Outro avanço muito importante são as drogas alvo. As drogas alvo são aquelas drogas que buscam as células de câncer através de alvos preestabelecidos que existem nessas células. Com isso, o tratamento tem muito menos efeitos colaterais, porque a quimioterapia tradicional destrói tanto as células malignas, as células de câncer, mas também destrói muitas células saudáveis do nosso corpo, de órgãos que não têm relação com aquele câncer. Por exemplo, a medula óssea, o cabelo, a unha, e vários outros órgãos são muito atingidos nas quimioterapias que tratam câncer de mama. Agora com drogas alvo, que têm alvos preestabelecidos naquelas células de câncer, eu consigo como mísseis teleguiados diminuir os efeitos colaterais do tratamento. Quanto à radioterapia a gente tem avançado em diminuir o tempo de tratamento. Antigamente os tratamentos eram mais de 30 sessões e hoje com ultrafast, a gente já consegue fazer radioterapias com apenas 5 sessões de radioterapia em alguns casos selecionados e até a radioterapia intraoperatória, que é feita na hora da cirurgia.

    𝐌𝐌 - Existe alguma comprovação científica sobre o bom humor e a fé no tratamento? O quanto o fator psicológico influi na cura do paciente?
    𝐃𝐫. 𝐁𝐫𝐮𝐧𝐨 – A ciência vem cada vez mais focando na relação entre o humor, a espiritualidade, o bem viver e o bem estar com a incidência de câncer e o prognóstico de um câncer. Existem alguns estudos pequenos, qualitativos, que já relacionam o bem-estar, o bem viver e o humor a uma incidência menor, a uma taxa maior de cura. Mas esses estudos ainda não são estudos populacionais e são estudos difíceis de reproduzir, porque é difícil comparar o bem-estar de um grupo de pessoas com o bem-estar de outro, inclusive de países diferentes. E agora eu te dou uma opinião e não uma evidência científica e não uma constatação. Pra mim, depois de quase 20 anos fazendo mastologia, é muito clara a associação entre estar bem consigo mesmo e o resultado do seu tratamento.

    𝐌𝐌 - O câncer de mama também afeta os homens? Fale um pouco sobre prevenção e tratamento 
    𝐃𝐫. 𝐁𝐫𝐮𝐧𝐨 - O câncer de mama também ocorre em homens. 1% de todos os casos de câncer de mama ocorrem em homens, ele é muito menos frequente do que nas mulheres. O tratamento é muito semelhante. Quais são os sinais de alerta? Sinais e sintomas de alerta? Nódulo retroareolar. Geralmente o câncer começa no homem como nódulo retroareolar lesões de mamilo e abaulamentos na mama também devem gerar atenção no homem. E caso ele perceba qualquer uma dessas alterações, ele deve procurar um médico para que ele possa ser avaliado.

    Por Mídia Mineira.

    • Comente no Site
    • Comente no Facebook

    0 comments:

    Postar um comentário

    Item Reviewed: Outubro Rosa: Mastologista Dr. Bruno Laporte esclarece a importância da prevenção do câncer de mama Rating: 5 Reviewed By: Mídia Mineira
    Voltar para o Início