Músico potiguar que conquistou o país no fim dos anos 1970 com hino da MPB, Casinha Branca, estava internado em Muriaé
O cenário musical brasileiro perdeu uma de suas vozes mais marcantes da década de 1970. Morreu neste sábado, 30 de maio, aos 73 anos, o cantor, compositor e produtor musical Gilson Vieira da Silva. Conhecido publicamente apenas como Gilson, o artista estava internado há dias no Hospital São Paulo, localizado no município de Muriaé, onde veio a falecer.
Natural de Macau, no Rio Grande do Norte, onde nasceu em 1 de agosto de 1952, o músico passou parte da infância em Natal antes de migrar para o Rio de Janeiro, em 1966. Na capital fluminense, iniciou sua trajetória profissional na noite, integrando o conjunto de baile Sempre Alerta e outras bandas locais por cerca de oito anos, período que antecedeu sua projeção nacional na indústria fonográfica.
O reconhecimento massivo do público ocorreu na transição para o final daquela década. Em 1979, a composição "Casinha Branca", criada por Gilson em parceria com Joran e Marcelo, foi selecionada para integrar a trilha sonora de "Marrom Glacê", telenovela de grande audiência da Rede Globo. O impacto na programação televisiva impulsionou a faixa, que permaneceu por quase doze meses consecutivos entre as mais executadas do país.
A recepção comercial do compacto simples resultou na venda de mais de 500 mil cópias, garantindo ao criador os certificados de discos de Ouro e Platina. Ao longo das décadas seguintes, a obra ganhou contornos de clássico da MPB, recebendo releituras de mais de uma centena de intérpretes brasileiros e internacionais. Entre as versões mais notáveis estão as vozes de Maria Bethânia, Fábio Jr. e uma adaptação para a língua inglesa feita por Jim Capaldi sob o título "Old Photographs".
Além de seu maior sucesso, o artista consolidou uma trajetória como compositor de obras gravadas por outros expoentes da música nacional, a exemplo de "Verdade Chinesa", interpretada por Emilio Santiago, e "Fim de Solidão", na voz de José Augusto. Gilson também lançou os álbuns "Vitrine" (1980), "Encontro Casual" (1987) e "Tempo Bom" (1991), migrando posteriormente de forma mais intensa para a atuação nos bastidores técnicos como produtor musical.
Em seus anos recentes, o artista residia de forma pacata no distrito de Boa Família, área rural de Muriaé, acompanhado por sua esposa, a produtora Giani Carla, e por seus cães e gato. O cotidiano na localidade mimetizava o desejo de simplicidade expresso nos versos de sua canção mais famosa. Gilson deixa filhos, além de um legado cultural que atravessou gerações e inspirou gêneros diversos, incluindo o rap nacional.
O velório deverá acontecer em Boa Família e o sepultamento está prevista para as 16 horas em Miraí.
Por Mídia Mineira.
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