Prefeitura decretou Estado de Calamidade em fevereiro mais chuvoso da história com 584 mm acumulados
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| Foto: Reprodução TV Globo. |
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| Foto: Reprodução Redes Sociais. |
Juiz de Fora, a cerca de 120 quilômtros de Cataguases, amanheceu nesta terça-feira (24) sob estado de calamidade pública após uma das noites mais devastadoras de sua história recente. As chuvas que desabaram sobre o município na tarde de segunda e na madrugada desta terça-feira, ceifaram ao menos 14 vidas, deixando 440 pessoas sem teto e mobilizaram centenas de agentes de resgate em diferentes frentes de trabalho espalhadas por toda a cidade.
O temporal teve início no fim da tarde de segunda-feira (23) e se estendeu pela madrugada, acumulando até 180 milímetros em alguns pontos da cidade em poucas horas. O número é expressivo mesmo quando comparado ao contexto mensal: segundo dados da administração municipal, o acumulado de fevereiro já chegou a 584 milímetros, o dobro do volume esperado para todo o mês, tornando este o fevereiro mais chuvoso registrado na história de Juiz de Fora.
Os óbitos confirmados até o momento, segundo a prefeitura, estão distribuídos por diferentes bairros. Quatro mortes ocorreram na rua Natalino José de Paula, no bairro JK; outras quatro na rua Orville Derby Dutra, no bairro Santa Rita; duas na rua João Luís Alves, na Vila Ideal; e uma em cada um dos seguintes endereços: rua José Francisco Garcia, no Lourdes; rua Eurico Viana, na Vila Alpina; estrada Athos Branco da Rosa, no São Benedito; e rua Jacinto Marcelino, na Vila Olavo Costa. A maioria das vítimas fatais perdeu a vida em decorrência de soterramentos.
No bairro Paineiras, região central da cidade, um barranco desabou no morro do Cristo e invadiu o primeiro pavimento de um edifício e de duas residências na rua Engenheiro Murilo Miranda de Andrade. Ao menos 15 moradores ficaram presos nas edificações, e dois deles foram soterrados. Um sargento do Corpo de Bombeiros relatou que um casal ficou sob os escombros, a mulher conseguiu ser retirada com vida, mas o paradeiro do marido ainda era desconhecido no momento do relato.
Uma moradora que estava no local descreveu o momento do desastre. Segundo ela, um barulho intenso precedeu a chegada de uma enxurrada de terra. Os moradores subiram para o terraço e passaram para o prédio vizinho, quando veio um deslizamento muito forte, contou. A situação ilustra o nível de risco a que centenas de juiz-foranos estiveram expostos durante a noite.
No bairro JK, na rua Francisco Gonzalo de Faria, a Defesa Civil confirmou o desmoronamento de uma edificação. Vizinhos descreveram ter ouvido estalos antes do estrondo que marcou o colapso da estrutura. O Corpo de Bombeiros e equipes com cães farejadores foram acionados para o local. O tenente Henrique Barcellos informou que, somente na madrugada, foram registradas mais de 40 chamadas emergenciais por vias bloqueadas, moradores ilhados e imóveis danificados. Mais de 20 militares foram deslocados e vários cães de busca para reforçar a operação.
Um dos cenários mais críticos está no bairro Parque Burnier, onde, de acordo com informações dos bombeiros, 17 pessoas estavam desaparecidas até a publicação desta reportagem, entre elas, mais de cinco crianças. Nove pessoas foram resgatadas com vida no local. A Defesa Civil também confirmou soterramentos com possíveis vítimas nos bairros Cerâmica, Esplanada, Três Moinhos, Santa Rita e Parque Burnier, totalizando ao menos seis ocorrências desse tipo monitoradas simultaneamente. No total, a prefeitura registrou ao menos 20 ocorrências de soterramento e 251 chamados ao longo do dia.
A infraestrutura urbana também foi severamente comprometida. O Rio Paraibuna e diversos córregos transbordaram, inundando ruas e isolando bairros. Pontes e o mergulhão. Vias que conectam diferentes regiões ao Centro foram interditados. Árvores caídas agravaram ainda mais o tráfego já comprometido pelos alagamentos e deslizamentos. Sobreviventes resgatados foram encaminhados ao Hospital de Pronto Socorro (HPS), unidade de referência no município.
Diante da gravidade do cenário, a administração municipal decretou, na madrugada de terça-feira, o estado de calamidade pública por meio do decreto nº 17.693, com vigência de 180 dias a partir desta data. Como medida imediata, as aulas foram suspensas em todas as escolas municipais, e servidores que atuam no prédio-sede foram autorizados a trabalhar remotamente. A prefeitura também recomendou à população que evite deslocamentos desnecessários.
O alerta para novos riscos segue ativo. O solo da cidade está completamente saturado, o que mantém elevado o perigo de novos deslizamentos mesmo nas áreas onde a chuva deu uma pausa. A Defesa Civil orienta que moradores em encostas que identificarem rachaduras em paredes ou inclinação de postes abandonem imediatamente seus imóveis. O Instituto Nacional de Meteorologia (INMET) prevê que as chuvas devem continuar ao longo desta terça-feira, com previsão de nuvens carregadas, pancadas e trovoadas isoladas — o que amplia a preocupação das equipes de resgate ainda em campo.
Por Mídia Mineira.
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