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    sexta-feira, 1 de setembro de 2023

    Alunos da Escola Estadual Professor Quaresma fazem nota de repúdio à Prefeitura de Cataguases pela morte do jovem Gabriel

    Fato aconteceu durante audiência pública sobre mobilidade urbana onde os convidados do Executivo não compareceram.



    Cataguases, 31 de agosto de 2023 -
    Na noite desta quinta-feira, 31 de agosto, a Câmara Municipal de Cataguases foi palco de uma audiência pública de extrema relevância para a comunidade local. O evento, que teve como pauta a mobilidade urbana na cidade, foi solicitado e presidido pela vereadora Stéfany Carli (PT), marcando um momento crucial de debate sobre um tema que afeta diretamente a vida dos cidadãos.

    A audiência, que contou com a participação de diversos segmentos da sociedade cataguasense, teve o objetivo de discutir o péssimo serviço do transporte público na cidade, entre outros pontos do tema, bem como buscar soluções para os problemas enfrentados diariamente pela população. No entanto, chamou a atenção o fato de que nenhum representante da Prefeitura tenha comparecido ao evento, gerando frustração entre os presentes.

    A vereadora Stéfany Carli fez questão de destacar que essa não é a primeira vez que a Câmara Municipal promove uma audiência pública para debater questões de interesse público e de forte clamor social, e o Executivo municipal se esquiva de participar. Ela enfatizou a importância da presença do poder público para ouvir as demandas da população e buscar soluções conjuntas.

    Entre as principais queixas apresentadas durante a audiência estavam as condições precárias do transporte coletivo em Cataguases, mas chamou a atenção a manifestação dos alunos da Escola Estadual Professor Quaresma, localizada no bairro Taquara Preta, onde o jovem Gabriel da Silva Pereira, estudava. Ele perdeu a vida no último sábado, 26 de agosto, vítima do desabamento da guarita do ponto de ônibus da Vila Teresa.

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    A professora Cristiane, visivelmente emocionada, fez questão de ressaltar que Gabriel não foi culpado, mas sim uma vítima das condições precárias da infraestrutura urbana da cidade. Em um gesto de união, os alunos entregaram aos vereadores um abaixo-assinado que reuniu diversas assinaturas da comunidade escolar e uma nota de repúdio sobre o trágico incidente.

    Não foi acidente gente, aquilo foi negligência! Eu moro em frente ao ponto de ônibus da Taquara Preta, tem um ponto de ônibus igual aquele e ele só não caiu porque os moradores de lá fizeram uma base de concreto ao redor do pé do ponto de ônibus que está com o teto rachado. O ponto de ônibus em Camargo, igual aquele caiu, Gabriel não se dependurou lá, foi o vento, foi o vento. Então às vezes, acontece coisas que a gente não sabe explicar, caiu naquele momento, mas poderia ter caído no horário das 17 horas da tarde quando estão saindo vários alunos do Flávia Dutra e poderia ter mais de 20 crianças. Culpar Gabriel é um tanto quanto covarde, é atitude de um poder covarde! Que se exime. Nós estamos andando em uma cidade suja, uma cidade abandonada, onde não se faz pelos jovens! Como professora com mais de 23 anos de carreira, eu nunca vi uma juventude tão abandonada como está agora essa geração. Não tem nada em cultura, em lazer... Gabriel era um menino alegre, era um menino feliz, era um esportista, não bebia, não usava coisa errada, Gabriel gostava muito de esporte. Tinha desde pequeno uma dor nas costas que ele costumava se dependurar na porta da sala de aula e dizia: Tia, tá doendo tanto! Ele dependurava e as costas estalava. Isso nos cinco anos que eu trabalhei com ele eu sempre via ele fazendo isso. Então, culpar ele por se dependurar... Eu, se estivesse com meu filho ali e ele chutasse uma bola e ela caísse no teto, eu ia levantar ele no colo e dependurar para ele pegar a bola e ela poderia cair em cima do meu filho. Então, essa culpa é um tanto quanto cruel. [...] Infelizmente, uma negligência, uma irresponsabilidade, ceifa uma vida e arranca todo um futuro das mãos da gente”, disse a professora.

    O aluno Vitor Moisés Machado da Silva, em nome dos estudantes e professores da Escola Estadual Professor Quaresma, leu uma emocionante nota de repúdio que destacou a necessidade urgente de medidas efetivas para melhorar a mobilidade urbana em Cataguases. O documento também enfatizou a importância de garantir a segurança dos cidadãos nas estruturas de transporte público da cidade.

    Confira a nota de repúdio na íntegra:

    “Nós da comunidade escolar, da Escola Estadual Professor Quaresma, em meio a tanta dor e tristeza pelo falecimento de nosso estudante Gabriel, no dia 26 de agosto, viemos unidos manifestar a nossa indignação e revolta perante os descasos e a falta de responsabilidade do Poder Executivo da cidade de Cataguases em relação ao ocorrido.

    O sentimento de injustiça e impotência vem atravessando nosso processo de luto, pois entendemos de imediato que a nossa perda é produto de uma negligência enraizada no projeto de necropolítica que afeta a população pobre, trabalhadora estudantil do nosso país.
    Nossa comunidade tem sido desrespeitada constantemente com o péssimo serviço de transporte público oferecido pelo Poder Público, que refrete na distribuição de linhas de ônibus, na segurança e estrutura desses veículos e nos pontos de ônibus. Na capacitação de funcionários das empresas de transporte público, no direito do passe escolar de estudantes e professores que vem sido retirados a cada oportunidade.

    Sabemos que a morte do Gabriel não foi um acidente e sim a culminância do abandono do Poder Político Público, somado ao interesse privado que só visa o lucro, ao reduzir as condições dignas de mobilidade urbana que todo cidadão merece.

    Nossa revolta só aumenta com a narrativa que vem sendo construída a partir do pronunciamento da Prefeitura Municipal de Cataguases e do jornalismo irresponsável que cobriu a notícia, pois culpabiliza os nossos alunos, que são representantes da juventude cataguasense e da esperança de um futuro melhor para nós, pela queda da guarita que resultou nesta terrível tragédia. É uma imensa falta de respeito e honestidade com a população e principalmente com os familiares e amigos de Gabriel, pois todos nós somos testemunhas das condições precárias que se encontrava a guarita em questão. Uma estrutura extremamente desatualizada e antiga com ferragens expostas e goteiras.

    Não podemos ficar em silêncio e sermos cúmplices desse crime protocolado pelo Poder Executivo em consideração a vida de nosso querido estudante e sua família. Assim todos nós, trabalhadores da educação, esperamos que ao começar a nossa mobilização por justiça e reparação por meio dessa nota de repúdio, o processo da perícia técnica seja compatível com a realidade, minimamente como uma forma de retratação a família de Gabriel e aos nossos alunos que estavam presentes, prestando os primeiros socorros ao seu querido amigo e permanecendo leais a ele até o momento de sua passagem.

    Tem sido difícil compartilhar essa dor coletiva em nossa escola, presenciar nossos alunos extremamente abalados e recomeçar nossa rotina escolar, mas acreditamos que com a nossa união e o apoio mutuo da nossa comunidade, conseguiremos não só recuperar, assim como evitar que outras tragédias dolorosas como essa ocorram em Cataguases.”

    O estudante também disse que a Constituição do Brasil garante o direito a segurança para o cidadão e perguntou: “Onde estava a segurança de Gabriel Silva debaixo daquela guarita?”.

    A vereadora Stéfany disse que é necessário que o Executivo abra um processo administrativo para apurar as responsabilidades.

    O representante da Defesa Civil, Alexandre Rodrigues, o Tico Tico, disse que o laudo do que ocorreu será feito por um engenheiro da Polícia Civil e que deverá ficar pronto em 30 dias para apurar as responsabilidades. "A prefeitura soltou uma nota dizendo: A Defesa Civil estava à frente do serviço, só que não adianta a prefeitura soltar uma nota e justificar o injustificável. Isso eu não ia fazer. Não adianta a prefeitura falar: A culpa é dele porque ele que subiu, não, precisa da nota técnica.", ressaltou.

    A audiência pública, além de evidenciar a preocupação da comunidade com a mobilidade urbana, deixou claro o anseio por ações imediatas por parte das autoridades. Os desafios são inúmeros, mas a voz da população está cada vez mais unida em busca de melhorias que garantam uma Cataguases mais segura e acessível para todos os seus habitantes.

    Por Mídia Mineira 
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