Com laudos da Defesa Civil e processo no Ministério Público, morador cobra posicionamento definitivo da prefeitura antes do início do período chuvoso
A reportagem do Portal Mídia Mineira esteve na Avenida Antônio Justino, bairro Justino, nesta quinta-feira, 9 de julho, para conversar com o morador Aquiles Pereira, sobre um problema que os moradores tem vivenciado há muito tempo e que até hoje não foi encontrada uma solução. O drama da comunidade, que já se arrasta por décadas e atravessou diferentes gestões municipais, ganhou um novo e preocupante capítulo após uma intervenção recente realizada no morro que fica logo acima da avenida.
De acordo com Aquiles, a falta de uma infraestrutura adequada para escoar a água da chuva é um sofrimento antigo de quem reside na localidade. A situação se agravou drasticamente após um forte temporal no dia 26 de fevereiro deste ano, ocasião em que a lama e a enxurrada invadiram as casas. Mesmo diante da gravidade do cenário e dos apelos constantes dos moradores, a administração municipal não realizou nenhuma obra corretiva ou de prevenção no local desde então.
O morador relata que o desastre do início do ano foi intensificado por uma clara negligência do município. A prefeitura havia deixado uma grande quantidade de terra acumulada na encosta do morro. Apesar dos avisos da comunidade de que aquilo se tornaria uma "tragédia anunciada", o material não foi retirado a tempo e acabou sendo levado pela chuva, entupindo a única galeria pluvial existente na Avenida Antônio Justino.
Como consequência do entupimento, a força das águas inundou os imóveis da região. Aquiles possui registros em vídeo que comprovam que o nível da água chegou a impressionantes 1,65 metro dentro de sua residência. O fato choca ainda mais por se tratar de uma área que não possui rios ou córregos próximos, evidenciando que a inundação foi provocada exclusivamente pelo colapso e pela insuficiência do sistema de drenagem urbana.
A indignação da comunidade também se apoia em critérios técnicos e legais. O morador destaca que possui em mãos um laudo do Corpo de Bombeiros e outro da Defesa Civil, e ambos os documentos atestam formalmente que a captação de água na avenida é completamente deficiente. Além disso, a situação já foi judicializada, com um processo em andamento no Ministério Público, onde o órgão já pediu vistas do caso, mas o Executivo segue sem apresentar medidas práticas.
O alerta atual do morador se deve a uma intervenção recente feita no pasto do morro. Embora a prefeitura alegue estar apurando quem realizou o serviço, a informação inicial era de que deveriam ser feitas curvas de nível para reter a água. No entanto, uma máquina abriu uma linha reta cortada na terra que deságua diretamente na avenida. Aquiles teme que essa vala faça a água descer com ainda mais velocidade e traga toda a terra lá de cima, sobrecarregando a galeria que já não comporta o fluxo normal.
Por fim, o morador reforça que já buscou diálogo com vereadores, secretarias e com o próprio prefeito, mas recebeu apenas promessas e justificativas de falta de verba, sem nenhum cronograma definitivo. Às vésperas de um novo período chuvoso, o sentimento na comunidade é de total insegurança. O Portal Mídia Mineira ressalta que o espaço permanece aberto para que a prefeitura e os órgãos citados possam se manifestar e apresentar os esclarecimentos necessários à população.
Por Mídia Mineira.
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