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    sábado, 9 de maio de 2026

    Hospital de Cataguases enfrenta novas ameaças de paralisação de médicos e funcionários

    Considerado o pior cenário em um século de existência, o colapso do Hospital de Cataguases se aprofunda após a intervenção municipal, com atrasos salariais crônicos e insegurança à integridade física de médicos, ameaçando a continuidade do atendimento regional.


    A temperatura subiu, e muito! Nos bastidores da saúde em Cataguases. O que antes era um sinal amarelo virou um alerta vermelho com o risco real de uma paralisação sistêmica no Hospital de Cataguases (HC). De um lado, a Diretoria Técnica da instituição formalizou um cenário desolador de insegurança e falta de pagamentos; de outro, o sindicato dos trabalhadores da saúde acaba de carimbar o passaporte para uma greve por tempo indeterminado. A instituição, que atravessa sua pior crise histórica, parece estar em um beco sem saída diante dos últimos desdobramentos administrativos. 

    O Diretor Técnico, Dr. Oswaldo Israel da Silva Cruz, enviou um documento oficial às autoridades relatando o que chama de risco de desassistência médica na rede de urgência e emergência. O texto é um raio-x das dificuldades: há irregularidades apontadas pelo CRM que comprometem desde a privacidade dos pacientes até a continuidade das escalas de plantão. Segundo o documento, profissionais das áreas de ortopedia, cirurgia geral, obstetrícia e pediatria podem deixar os postos coletivamente a partir do dia 15 de maio caso os honorários, atrasados em alguns casos desde novembro de 2025, não sejam quitados. 

    A asfixia financeira não atinge apenas o corpo médico. O sindicato que representa os trabalhadores da saúde comunicou que, a partir de 12 de maio, a categoria cruzará os braços. A decisão lista pendências graves: falta de pagamento do 13º salário de 2025, atrasos nos depósitos do FGTS, férias e até a retenção indevida de valores de empréstimos consignados que já foram descontados da folha dos funcionários.


    O interventor da unidade, que assumiu a cerca de 4 meses, Jeferson Pinto de Freitas, disse que vem mostrando relatórios mensais e que reconhece a situação delicada. Ele justifica que a conta simplesmente não fecha. Segundo ele, o custo apenas com a folha administrativa, que inclui enfermeiros, portaria e limpeza, supera os R$ 2 milhões. Somando-se os médicos terceirizados e os horizontais, o gasto fixo com mão de obra ultrapassa os R$ 3,1 milhões mensais, valor idêntico ao repasse total que o hospital recebe. "O dinheiro que nós recebemos, principalmente o governamental, porque o dinheiro do SUS que vem do SUS é insuficiente para pagar o SUS", afirmou o interventor, destacando que insumos como água e energia não são pagos há anos, bem antes da intervenção. Segundo ele, houve o primeiro bloqueio judicial da Copasa em março, o que prejudicou, e muito, o pagamento das contas do mês, comprometendo a gestão financeira. Freitas afirma que, sem querer tirar a culpa da intervenção, existiam muitas dívidas anteriores a intervenção que refletem agora. Um exemplo é uma multa de 2020 no valor de R$ 600 mil, devido a um erro médico. 

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    Sobre a paralisação dos funcionários, Jeferson reconheceu a delicadeza da situação, mas afirmou que a prioridade tem sido manter o hospital funcionando com os recursos escassos que restam após bloqueios judiciais. Em março, por exemplo, as contas do Hospital foram bloqueadas devido uma ação da Copasa. Ele explicou que pagar 100% da folha significaria deixar a unidade sem medicamentos ou oxigênio, e que "a greve provavelmente irá acontecer, é um direito deles, eles estão sem receber os complementos salariais, embora o salário esteja em dia". O interventor alegou que faz o melhor com o que tem e garantiu que o hospital não utiliza dinheiro de funcionários para fins indevidos, mas reiterou que a sobrevivência da instituição hoje depende de um aumento urgente no suporte governamental federal e estadual. Ele acredita que o Hospital tem que procurar caminhos para receber o suficiente para sua subsistência e que emendas parlamentares deveriam ser apenas para compra de equipamentos e reformas caso necessário.

    O pano de fundo dessa crise é a intervenção da Prefeitura de Cataguases, que já dura dois anos. O que deveria ser uma solução temporária para sanear a casa se tornou um fator de agravamento. No entanto, um novo capítulo político começou a ser escrito na Câmara Municipal. Em conversa com o vereador Carlos Magno (Maguinho), fomos informados de que a Primeira Promotoria de Cataguases solicitou ao Legislativo a devolução do duodécimo para socorrer a Urgência e Emergência (RUE). Esta seria uma condição imposta pelos gestores do Hospital São Paulo (HSP) para assumirem a administração do HC a partir de 1º de junho.

    Para colocar as contas em dia, pelo menos do Pronto Socorro, o hospital precisaria de um aporte mensal de R$ 4,3 milhões, bem acima dos R$ 3 milhões atuais, apenas para a Rede de Urgência e Emergência (RUE). O acordo costurado prevê que Cataguases e municípios vizinhos aumentem os repasses por três meses, enquanto a Câmara de Vereadores entraria com cerca de R$ 700 mil divididos em 3 vezes. Segundo Maguinho, os parlamentares concordaram com o repasse em parcela única, paralisando até o ano que vem as obras da Casa Legislativa, mas exigiram uma ata assinada garantindo que o HSP assumirá de fato a gestão.

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    Apesar da possível solução administrativa, o clima entre os funcionários ainda é de tensão. O vereador revelou que a Promotoria não priorizou o pagamento imediato dos atrasados dos trabalhadores no acordo, mas acredita-se que a nova gestão do Hospital São Paulo terá credibilidade para negociar com os funcionários.

    Com relação a greve, ainda não existe solução de curto prazo. Enquanto os bastidores fervem, a população segue apreensiva: a segurança quanto a integridade física de médicos e funcionários no pronto-socorro continua sendo um problema crítico, com a Direção Técnica reforçando o pedido de patrulhamento urgente para evitar o abandono completo das escalas médicas. 

    Por Mídia Mineira.

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