Temporal com quase 100 milímetros em três horas provocou deslizamento fatal, alagamentos generalizados e bloqueios nas principais vias da cidade
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| Fotos: Rádio Muriaé. |
Um episódio de chuvas intensas transformou a madrugada desta terça-feira (10) em cenário de calamidade para Muriaé, município da Zona da Mata mineira. A precipitação concentrada, que acumulou aproximadamente 100 milímetros em apenas três horas, superou a capacidade de drenagem urbana e desencadeou uma sequência de eventos críticos que expuseram a vulnerabilidade da cidade diante de fenômenos climáticos extremos.
O balanço mais grave da noite é o registro de uma morte. Um homem ainda não identificado perdeu a vida após um deslizamento de terra atingir sua residência na Vila Conceição, bairro localizado na região atrás da AABB. O desastre ocorreu por volta de 1h da manhã, quando a estrutura foi completamente soterrada pela massa de lama e destroços.
As equipes do Corpo de Bombeiros foram acionadas imediatamente e enfrentaram condições extremamente adversas durante o resgate. Foram necessárias mais de cinco horas de trabalho ininterrupto para localizar o corpo da vítima, em meio a um terreno instável, com forte correnteza e grande volume de lama. Segundo informações do Tenente Cassus, comandante do 2º Pelotão, a gravidade da situação exigiu a convocação de militares que estavam de folga para reforçar a operação.
O corpo foi encontrado por volta das 5h38, preso sob escombros de ferro, madeira e uma grade metálica que dificultou ainda mais o trabalho dos socorristas. Foi necessário utilizar equipamentos de corte para realizar a remoção. Vizinhos e conhecidos acompanharam as buscas com a esperança de encontrar o morador com vida, mas a confirmação do óbito trouxe consternação à comunidade local.
A Polícia Civil foi acionada para realizar os procedimentos periciais, e o corpo foi encaminhado ao Instituto Médico Legal (IML) para os trâmites legais. As autoridades não divulgaram até o momento informações sobre a identificação da vítima ou as causas técnicas do deslizamento, que será objeto de investigação.
Além da tragédia na Vila Conceição, a cidade enfrentou problemas generalizados de mobilidade urbana. Na rodovia BR-356, próximo à garagem da empresa Eromave, uma queda de barreira interrompeu totalmente o tráfego nos dois sentidos. O bloqueio foi tão severo que até mesmo uma viatura do Corpo de Bombeiros que retornava de atendimento em Pirapanema ficou presa na lama. Somente na manhã desta terça-feira o trecho foi liberado, ainda que com excesso de lama na pista.
Outro ponto crítico foi registrado na BR-116, na altura do bairro Bela Vista, próximo a um posto de combustíveis. O transbordamento do Rio Muriaé invadiu a pista, provocando lentidão extrema no tráfego. Veículos conseguiam passar pela área alagada, mas com dificuldade e em velocidade reduzida. O fluxo desde o trevo da Chevrolet até a região do Bela Vista foi severamente comprometido durante toda a manhã.
No perímetro urbano, diversos bairros enfrentaram alagamentos. Na Vila Leite, a Rua Francisco Elias foi uma das mais atingidas, com a água invadindo residências e causando prejuízos materiais aos moradores. No bairro Napoleão, as ruas também ficaram temporariamente alagadas, embora o nível da água tenha baixado rapidamente após o pico das precipitações.
A Defesa Civil e o Corpo de Bombeiros permanecem em estado de alerta máximo. O solo extremamente encharcado aumenta o risco de novos deslizamentos nas áreas de maior vulnerabilidade geológica. Equipes continuam monitorando regiões consideradas críticas para evitar novas tragédias.
O episódio volta a colocar em evidência a necessidade de políticas públicas efetivas de prevenção e gestão de riscos climáticos. Eventos extremos de precipitação têm se tornado mais frequentes em diversas regiões do país, exigindo infraestrutura adequada de drenagem, sistemas de alerta precoce e planejamento urbano que considere áreas de risco geológico.
Especialistas apontam que a combinação de ocupação irregular em encostas, falta de sistemas de drenagem eficientes e impermeabilização excessiva do solo urbano cria condições propícias para tragédias como a registrada em Muriaé. A questão exige ação coordenada entre diferentes esferas do poder público, além de conscientização da população sobre os riscos de morar em áreas vulneráveis.
Moradores de regiões próximas a encostas e áreas de risco devem ficar atentos aos sinais de instabilidade do solo, como rachaduras nas paredes, surgimento de minas d'água, inclinação de postes e árvores, e ruídos de movimentação de terra. Em caso de perigo iminente, a orientação é deixar o local imediatamente e acionar a Defesa Civil.
A cidade de Muriaé agora enfrenta o desafio de contabilizar os prejuízos, prestar assistência às famílias afetadas e implementar medidas que possam reduzir a vulnerabilidade diante de novos episódios de chuvas intensas, cada vez mais comuns em um cenário de mudanças climáticas.
Por Mídia Mineira.
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