Por ocasião do lançamento da regravação do Hino Cataguasense, projeto da ACRIAR presidida por Emanoel Messias e produção musical de Ezequiel Sabino, coube a professora e historiadora Joana, trazer o contexto histórico da época da criação do hino do município de Cataguases, o que propiciou a muitos entender melhor a letra da música que chegou até ser criticada por pessoas que desconhecem a importância histórica para a cidade, desse que é um dos mais belos hinos dos municípios brasileiros.
Conforme disse a professora, um hino tem a função de captar, transmitir um fato histórico de uma determinada comunidade. "O hino é um testemunho do homem, do seu meio e do seu tempo, um bem cultural capaz de estimular a memória do cidadão na busca da compreensão da história de sua comunidade" disse.
O Jornal Cataguases de 14 julho de 1908 relata que o hino, foi composto para inauguração da energia elétrica em Cataguases, com letra do jornalista Rebeldino José batista e música do maestro Francisco Raimundo Correia.
Fatos importantes da história cataguasense são relatados na letra, como o período difícil e turbulento que o município passou nos primeiros 8 anos do século XX com a lembrança nítida da febre amarela que matou centenas de pessoas, além dos efeitos da crise do café que resultou na falência e endividamento dos produtores locais, justificando as expressões: “Tempo nefário” e “dias de dor”.
O tempo nefário porém, estava acabando, iniciando um novo tempo de eminente progresso no município com a fundação das empresas de tecelagem e da Cia Força e Luz Cataguazes Leopoldina entre outras indústrias, jornais importantes como o Jornal do Brasil que mantinha uma filial no município e atividades culturais gerando a expectativa de “um constante progredir”.
Outra expressão interessante não colocada em vão pelo autor, é chamar Cataguases de “Filho de Nume”, uma divindade que simboliza a genialidade e inspiração, retratando muito bem, como uma profecia, a inclinação cultural e modernista do município.
Assista a fala da historiadora Joana na íntegra no vídeo abaixo:
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